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Terça, 01 Abril 2008 11:25

Memorial do Judiciário abre mostra Um olhar sobre a expansão urbana de Aracaju

Foi aberta ontem, dia 31, no início da noite, a mostra Um olhar sobre a expansão urbana de Aracaju, promovida pelo Memorial do Judiciário. Na ocasião, foi lançado um livro inédito escrito pelo Desembargador Francisco Monteiro de Almeida, em 1920, e que trata da expansão territorial de Sergipe. Além de membros do Judiciário e pesquisadores, participaram do evento o filho do Desembargador Francisco Monteiro, Pedro Evangelista de Castro, e a neta, a professora doutora Lylian Wanderley, que proferiu uma palestra sobre o trabalho do avô.

A mostra foi aberta pelo Presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe, Desembargador Artêmio Barreto. É papel do Memorial trazer ao conhecimento do público a história do Poder Judiciário de Sergipe que, no fundo, é a história política e social do Estado, enfatizou o Presidente. Além da palestra, foi lançado o site do Memorial do Judiciário, que traz informações de exposições, publicações e curiosidades. A página é www.tj.se.gov.br/memorial.

A Diretora do Memorial, Ana Medina, explica que a mostra traz documentos inéditos, como códigos de postura (normas que determinavam diversas ações) e requerimentos para construção e reforma de casas e fábricas. Estamos com uma exposição inédita de documentos que nos foram doados pela família do doutor Fernando Porto, quando ele faleceu, acrescentou. A maquete, que retrata a esquina da rua Laranjeiras com rua da Frente, foi construída a partir de fotos antigas por Thiago Collares, estudante de arquitetura.

A professora Lylian Wanderley contou em sua palestra que o livro escrito pelo avô dela, o Desembargador Francisco Monteiro de Almeida, foi um pedido do então Presidente do Estado, Joaquim Pereira Lobo. Ele pediu que fossem levantados os limites dos 34 municípios que constituíam Sergipe. Meu avô fez um trabalho árduo de busca de informações com produtores urbanos e rurais para descobrir onde eram os limites e resgatar o passado. Ele soube fazer a junção, na sua obra, do geográfico, do histórico e do jurídico, explicou.

Para ela, o livro merece ser conhecido pelas gerações atuais, como fonte história. Além de tudo tem uma leitura muito agradável, à medida que ele era um literato, um homem requintado, de grande cultura, elogiou Lylian. O filho do Desembargador, Pedro Evangelista de Castro, de 85 anos, falou sobre a satisfação de prestigiar a mostra. Meu pai era um estudioso, batia seus textos em uma máquina de escrever que foi histórica. Agora será permitido a todos aqueles que gostam da cultura conhecer esse trabalho, por intermédio da minha sobrinha Lylian Wanderley, disse emocionado.

A mostra Um olhar sobre a expansão urbana de Aracaju ficará aberta a visitação durante um mês. As escolas podem agendar visitas através dos telefones 3213-0771 e 3213-0219, de 7 às 13 horas.

Trajetória

O Desembargador Francisco Monteiro de Almeida nasceu em 6 de janeiro de 1884 no Espírito Santo. Formou-se em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas do Rio de Janeiro, em 1911. Em 1914 deu início a sua vida pública e veio morar em Sergipe a convite do General Valadão. Não tinha amigos, parentes, nem sequer um primo distante aqui, acrescentou a neta e professora Lylian Wanderley.

Durante os 27 anos que esteve em Sergipe foi Secretário Geral, Procurador Geral do Estado, Secretário de Finanças e Desembargador, cargo que assumiu em 1926. Ele estruturou a máquina político-administrativa do Estado e, principalmente a economia de Aracaju, que na época tinha apenas 59 anos. Também considero que ele teve um papel importante na institucionalização da parte jurídica de Sergipe, explicou a professora Lylian. O Desembargador Francisco Monteiro de Almeida morreu em julho de 1967, aos 83 anos, no Ceará.

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